FRANCIACORTA é uma zona da província de Brescia, na região da Lombardia ao norte da Itália, e sua extensão, de aproximadamente 240 quilômetros quadrados, compreende 21 comunes.

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Dentre as diversas lendas que tentam explicar a origem do nome Franciacorta, a mais aceita é que esta região leva este nome pois na Idade Média, uma comunidade de monges beneditinos (corti) estabelecidos ali, possuíam isenções fiscais (franchigia ou franchae) para o transporte de suas mercadorias para outros estados. Eram os corti franche, ou em bom português: a corte isenta de tributos.

Sinto desaponta-los, mas o nome não tem nada a ver com o corte de cabelo tigelinha dos padres…

O fato é que o termo Franciacorta, além de ser o nome da região, é também o nome do vinho, e quem aprecia vinhos, com certeza já o experimentou ou já ouviu falar. Nunca tinha ouvido falar? Fique tranquilo, o Franciacorta é muito jovem, nasceu nos anos 60; além disso, 80% da produção do vinho é consumida lá na Itália mesmo.

Método champenois

Os Franciacorta são produzidos com o método champenois, ou método clássico, exatamente como os espumantes franceses, chamados de Champagne porque produzidos naquela região da França.

O que diferencia o método champenois de outros é que neste é necessário que o vinho passe por uma segunda fermentação que acontece diretamente na garrafa graças à adição do liqueur di tirage, um xarope de vinho, fermentos selecionados e açúcar, produzido pelo enólogo da vinícola.

Após o repouso, as garrafas são inclinadas com o gargalo para baixo e giradas um quarto de volta por dia, até ficarem completamente de ponta cabeça. Desta forma, os resíduos e leveduras estarão acumulados no gargalo, que é congelado para a retirada dos resíduos, deixando o vinho perfeitamente límpido.

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Por último, a garrafa é preenchida com o liqueur d´expédition, um outro xarope a base de vinhos e açúcar e estará pronta para o consumo.

As uvas utilizadas na elaboração do Franciacorta são do tipo Chardonnay, Pinot nero e Pinot bianco. A partir da colheita todo o processo leva pelo menos 25 meses, 18 dos quais em lenta fermentação.

É caro, demorado e muito complexo, mas os melhores espumantes do mundo são aqueles elaborados com este método, pois desenvolvem aromas complexos, com um bom equilíbrio, capazes de acompanhar perfeitamente pratos da cozinha internacional.

Cantina Berlucchi

Quem me levou para lá foi minha querida amiga Mage, autora do Milão nas Mãos, um blog recheado de boas dicas da cidade e seus arredores. Leitura obrigatória.

Magê é guia acompanhante e pode te levar conhecer as maravilhas desta região!

A região fica há apenas uma hora de Milão. Basta pegar a autoestrada A4 em direção a Venezia, sair na saída Rovato e seguir as indicações para Franciacorta/Lago d´Iseo.

Ao sair da autoestrada, a paisagem muda completamente: parece que estamos a anos-luz de Milão. Num oásis verde, vinhedos perdem-se de vista, o clima é mais fresco, algumas vilas antigas aparecem aqui e ali.

Nos dirigimos para uma cantina em Borgonato di Corte Franca, chamada BERLUCCHI.

Numa elegante villa chamada Palazzo Lana Berlucchi, a família  produz espumantes há mais de 50 anos e é a maior produtora de Franciacorta da Itália, com 5 milhões de garrafas ao ano.

Vencedora de muitos prêmios, a vinícola obedece rigorosamente o método champenois, e mantem-se no topo graças à utilização de avançadas técnicas que permitem a máxima valorização das uvas.

A visita começa com uma curta explicação sobre o trabalho da empresa. Logo após, descemos 12 metros, nas cantinas onde repousam os vinhos. Lá embaixo a temperatura é baixa, por isso, não se esqueça de levar um casaco.

O guia que vez o tour conosco foi muito gentil e bem didático. Respondeu à todas as nossas leigas perguntas com muita paciência, saímos de lá experts na elaboração do Franciacorta.

Depois, passamos por várias galerias onde eles mantém uma certa quantidade de vinhos dos anos anteriores.

Logo em seguida está a parte mais moderna, o lugar onde os resíduos da garrafa são retirados, lembra-se?

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Por último, minha parte preferida: a degustação!

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Eu e Magê.

Nos oferecerem 3 vinhos: o Vintage, o Satèn e o Rosè. Como foi praticamente impossível escolher meu preferido, acabei comprando todos na loja que está dentro da vinícola mesmo.

Existem muitas outras vinícolas na região, que eu pretendo visitar aos poucos. E você? Conhece Franciacorta? Deixe-nos seu relato!

 Na prática

Berlucchi
Piazza Duranti, 4 – Borgonato, Brescia
Tel. 030 98 43 81
www.berlucchi.it
As visitas devem ser agendadas e custam 20 Euros com a degustação.

Leia também:

Uma visita à Cantina Antinori no Chianti , clique aqui.

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Sobre o autor

Ana Grassi é especialista em língua, cultura e turismo para a Itália. Fundadora, autora e editora do blog ITALIAna, trabalha como travel designer há 10 anos; isso quer dizer que realiza o sonho dos viajantes que querem conhecer a Itália, com um roteiro personalizado e exclusivo!

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