Cyntia é colunista do blog e participou da Viagem Cultural ITALIAna em roma. Ela fez um diário de bordo que conta as aventuras e as desventuras de um turista pela primeira vez na Itália. São 10 capítulos que retratam sua opinião autêntica, divertida e picante sobre a Itália e os italianos. Aproveite!” (Ana Grassi)

Leia mais:

Capítulo 1: A Chegada

Capítulo 2: Frascati e Nemi

Capítulo 3: Em Roma, viva como os romanos

Capítulo 4: Pelos fóruns romanos

Capítulo 5: Visitar Roma não é fazer turismo… é reviver a história!

Capítulo 6: A Toscana melhor que nos filmes


Toscana…prazeres sem fim!

A Toscana realmente nos surpreende em cada nova investida!

Nada é igual, monótono ou desinteressante. Pelo menos em uma viagem guiada pela Ana, que por si só, já é um aglomerado de sorrisos, alegria e MUITA ENERGIA!! Essa mulher não para um minuto; a pilha dela nunca acaba!

Bom pra nós, que estamos sempre sendo instigados a descobrir mais e mais em todos os lugares que passamos.

Degustação de produtos típicos da Toscana – incluindo o vinho Sasscaia!

Depois de Montalcino, nossa próxima parada foi Massa Marittima, uma pequena “comune” da província de Grosseto, região da Toscana, preservada pelo tempo, pelo seu povo e mantida pelos olhos e o estômago dos turistas.

Claro, pois todos se rendem aos prazeres das iguarias locais, como os queijos e os embutidos, de altíssima qualidade, artesanalmente produzidos com matéria-prima da região e com receitas milenares, passadas de pai pra filho.

Fomos recebidas por um simpático egípcio (sim, você não está precisando de óculos novos, nem tampouco a jornalista aqui é desinformada ou não revisou o texto), chamado Magdy, o feliz proprietário de um empório de uma das ruelas do vilarejo, que seleciona seus itens entre os melhores produtores locais: queijos, salames, temperos, especiarias, azeites, acetos e claro, vino.

Os melhores e mais premiados, de pequenas propriedades da região, que se você perder a oportunidade de experimentar, terá perdido por uma vida, pois numa próxima incursão sua pela região, pode não achar mais aquelas safras ou rótulos.

Então, movidas pela paixão pelos vinhos e, claro, para não deixar passar nenhuma grande oportunidade, as “três lucertolinas” (no último post eu explico o porquê da Ana ter batizado nosso trio com essa palavrinha estranha), Ana, Vanessa e eu decidimos provar o famoso, magnífico e venerado “Sassicaia”.

Sassicaia é um dos premiados vinhos “super toscanos” e conhecido como o Marquês da Itália, produzido numa pequena propriedade da região, mas que se tornou, a partir da grande e premiada safra de 1985, um dos melhores e mais famosos vinhos da Itália.

A loja de Magdy tem aquelas máquinas MARAVILHOSAS que preservam as garrafas abertas sem que o vinho perca suas propriedades. Isso facilita a vida dos que gostam de degustar  TUDO – ou dos que não tem grana para comprar uma garrafa inteira, como foi o nosso caso, diante do valor daquele rótulo.

E nesse caso, nem o preço da tacinha de degustação era tão convidativa, mas isso não era motivo para desanimo: decidimos, então, dividir uma taça de degustação entre as três, visto que molhar o bico naquele vinho nos custaria quase 100 reais!

E, tenho que reconhecer: este foi outro dos grandes investimentos que fiz em mim e nos prazeres pessoais dos quais não me arrependo meio milésimo de segundo. Mas confesso que faltou…pagaria por mais uma tacinha!

Muralia e Frantoio

Agora, feche os olhos e tente imaginar o seguinte cenário: se imagine morando em uma propriedade que, ao acordar pela manhã e abrir a janela do seu quarto, seus olhos se perdem num vasto parreiral de um lado e, do outro, em oliveiras alinhadas perfeitamente, até a linha do horizonte.

Imaginou? Pois é, isso não tem só em filme; no Il Pogiarello é assim. E é com esse cenário que os hóspedes acordam todas as manhã!

Chiara e Stefano, os proprietários, logo após o café da manhã, nos guiaram para conhecer a propriedade e fazer um reconhecimento de área na produção dos vinhos  da família, os deliciosos Muralia.

Caminhamos por entre a “matéria-prima” dos vinhos da propriedade e chegamos à área de produção. Cuidadosa, orgânica e bem administrada, Stefano faz questão de prezar pela qualidade, e não pela quantidade que a vinícola Muralia distribui ao mercado local.

Sua linha de produtos contempla tintos, brancos e o magnífico rosé (sim, aquele pelo qual sucumbi na minha primeira noite na Toscana). Visitamos a área dos enormes tonéis de aço inoxidável e a adega, onde eles estocam em barris de carvalho, os principais exemplares de suas produções. Uma fantástica experiência!

Ainda caminhando pela propriedade de Il Pogiarello, na agradável companhia de Chiara e Stefano, chegamos à uma pequena produção artesanal de azeites. Ali, no estilo cooperativa, os produtores locais levam suas colheitas de azeitonas e eles processam as azeitonas, fabricando o azeite.

Fantasticamente bem organizado, simples e eficiente, cada pequeno produtor tem seu azeite exclusivo, em sua propriedade. Sem contar os “meninos”, que trabalhavam no local, numa ensolarada manhã de domingo, de fartos sorrisos (e bíceps); um prazer aos sentidos, em todos os sentidos!

Resumindo: não deixe de vivenciar e se entregar às pequenas coisas. Na maioria das vezes, onde menos esperamos nos emocionar é onde está o que mais nos toca. Caminhar pelas estradinhas de terra daquela propriedade na Toscana encheu meu coração de amor – e de uma vontade infinita de voltar.

 

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Sobre o autor

Cyntia Braga

Cyntia é jornalista e tem suas origens açorianas, mas o sangue que corre em suas veias é “vinho tinto italiano”. É proprietária de um dos 10 melhores hostels do Brasil, o Concept Design Hostel & Suites.

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