Cyntia é colaboradora do blog e participou da Viagem Cultural ITALIAna. Ela fez um diário de bordo que conta as aventuras e as desventuras de um turista pela primeira vez na Itália. São 10 capítulos que retratam sua opinião autêntica, divertida e picante sobre a Itália e os italianos. Aproveite!” (Ana Grassi)

Leia mais:

Capítulo 1: A Chegada

Capítulo 2: Frascati e Nemi


Em Roma…

A nossa viagem cultural realizada por Ana Grassi, fundadora do blog ITALIAna, foi montada para termos uma verdadeira experiência romana, ou seja, para nos aproximarmos o máximo possível de como seria viver em Roma.

A viagem incluía passeios e ingressos aos  principais pontos turísticos de Roma, hospedagem em apartamentos estudantis com outros alunos da escola Torre di Babele, a escola de italiano na qual passamos algumas agradáveis manhãs tentando aprender um pouquinho do idioma (o “tentando” foi no meu caso, uma vez que havia algumas meninas no grupo que já conheciam muito da língua e outras que aprenderam sim, pois não “mataram” tantas aulas como eu!).

Estava incluído também hospedagem em um hotel rural na Toscana, almoços, jantares, aulas de culinária local e passeios pelas cidades dos arredores do Val d’Orcia.

…como os romanos

Não ficar hospedado em hotel e sim, num apartamento na cidade, como “gente comum”, já te coloca em um cenário diferente do “cenário do turista convencional”. Te oferece uma nova e divertida perspectiva de vivência nas ruas, com os locais e como os locais.

E era justamente isso que a Ana oferecia nesta viagem: deixar-nos livres para vivermos “a Roma dos romanos”. E foi sensacional!!!

Mas você precisa se abrir para isso: abrir sua cabeça e deixar que as coisas, acontecimentos e comportamentos que destoem um pouco do seu modelo de referência, de padrão e de “normalidade” não te afetem ou te deixem irritada(o). Vá com o espírito aberto pois, sim, muitas coisas são muito diferentes do que temos, do que vivemos e do que entendemos ser o normal, o padrão para nós, brasileiros.

3 brasileiras, 1 polonesa, 1 ucraniana…

Eu e uma outra leitora do Blog, de Campinas, ficamos juntas em um apto, à uns 1,5 km da escola. Tranquilo, íamos à pé para a Torre di Babele.

A nossa hospedagem, por escolha nossa, era em quarto duplo, com a colega da viagem, em um apartamento estudantil.

Na chegada à Roma, depois de um delicioso dia passeando pelas ruas de Frascati e Nemi, a Ana me levou até o meu apartamento, onde eu me instalei para passar as minhas duas semanas na Itália.

Ainda bem que a Ana foi comigo, pois a garota polonesa, moradora do apartamento, mas que era também a pessoa destacada pela proprietária do imóvel para receber os estudantes e passar todas as informações e regras da casa, não falava quase nada de inglês e eu, consequentemente, quase o zero absoluto de italiano (muito menos o polonês!).

Passado o susto do “abismo” na nossa comunicação, mas com tudo o que era importante perfeitamente traduzido pela minha amiga, me instalei no meu quarto e comecei a desfazer minha mala.

Além do quarto que eu e minha colega da viagem ficamos, havia outro quarto, onde estavam uma gauchinha super querida, que também estudava na Torre di Babele ejá estava há mais de seis meses em Roma, e uma ucraniana recém chegada.

… e dois banheiros

Somávamos cinco pessoas naquele apartamento, com dois banheiros. E então foi aí que percebi (num segundo momento, pois no primeiro claro, meu ímpeto foi o da comparação com o nosso padrão brasileiro de higiene e limpeza) que sim, teria que me adaptar ao momento, ao local e ao nível de satisfação, infinitamente menor que o nosso, que os europeus tem com coisas pouco importantes, na opinião deles, como tempo investido na limpeza de um banheiro, por exemplo.

Realmente, o brasileiro é bem chato pra limpeza. Temos um nível de exigência muito acima da média. Não vou aqui entrar nos detalhes, apenas dizer que, providenciando alguns poucos “itens de segurança”, como chinelos de borracha, saboneteiras próprias ou sabonete líquido, e lenços umedecidos, você se adapta e consegue sim, sobreviver com saúde em qualquer banheiro de comunidade estudantil. Somos seres polivalentes, que se adaptam às necessidades quando elas aparecem. Simples assim!

O café da manhã

Adaptada à nova realidade, tomei meu banho e sai pra fazer um reconhecimento do bairro em que passaria meus próximos dias em Roma. Caminhei muito, procurando por um café da manhã “simplinho”, como os que temos em qualquer padoca do Brasil: um  pãozinho de sal com queijo e presunto, um suco de laranja e um café coado.

Huahuahua! Esqueça! Na Itália você não encontrará essa combinação em nenhuma esquina. Primeiro que eles não comem nada salgado pela manhã; comem um croissant, que eles chamam de “cornetto” todo melecadinho com uma calda de açúcar por cima.

Não, não tem salgado! Só doce; é o tradicional deles. Segundo que o café do italiano é um café super, hiper, ultra forte e curto. Não tô falando de 3 dedos de café numa xícara. O curto deles é 1,5 centímetros de café, ou seja, o curto do curto do curto.

O primeiro – e único – café desses, que eu tomei em Roma, fez um furo de três dias no meu estômago. Aprendi a pedir um “americano”, que é mais “aguadinho”. Sem essa opção, meu estômago não chegaria ileso ao final dessa viagem.

Terme di Diocleziano

Abastecida e novamente adaptada aos cornettos italianos e ao café americano, fui desbravar o primeiro ponto turístico que achei pelo caminho: Terme di Diocleziano, a maior terma da Roma Antiga, construída durante a época imperial e dedicada ao imperador Diocleciano, em 306 d.C.

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Hoje a construção abriga uma das 4 sedes do Museo Nazionale Romano e é um importante museu arqueológico, reunindo peças de 500 anos a.C, como câmaras  e lápides funerárias, bustos, placas e testamentos esculpidos em mármore branco, etc.

Fiquei tão empolgada com aquele local, com a minha primeira “imersão no passado”, que perdi a hora de passar em casa e me arrumar para o jantar de boas-vindas que a Ana tinha preparado para as participantes da viagem.

O aperitivo foi num super restaurante moderninho, descolado, nas imediações da Piazza Bologna, o Momart Caffè, que segundo a Ana, era um local “figo”.

Mas fui daquele jeito mesmo, de tênis e camiseta, sem medo de ser feliz! Pronto, estava dada a largada da grande aventura, de 20 mulheres durante quase duas semanas pela Itália, com Ana Grassi!

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Resumindo: adaptações sempre serão necessárias em viagens para o exterior. Quando você quiser, verdadeiramente, conhecer e sentir um novo lugar, se abra para o novo, sem julgamentos prévios. Tudo o que é novo sempre vem acompanhado de um aprendizado, que fica para a vida

 

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Sobre o autor

Cyntia Braga

Cyntia é jornalista e tem suas origens açorianas, mas o sangue que corre em suas veias é “vinho tinto italiano”. É proprietária de um dos 10 melhores hostels do Brasil, o Concept Design Hostel & Suites.

5 Comentários

  1. Lia Lima on

    Ciao Anna, sto ridento cosí tanto .hahahahah sei molto buffa ragazza..
    Adorei…
    Bacio

    • Ana Grassi on

      Oi Lia!! O post é da Cyntia Braga, que conheceu a Itália comigo em 2016!
      Ela é muito divertida mesmo!
      Baci,
      Ana

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